sexta-feira, 16 de abril de 2010

Quase

Hoje a escritora desse blog foi acometida por uma súbita revolta diante da realidade, ou melhor, diante da realidade de algumas pessoas! (Fui acometida também pela vontade de escrever em terceira pessoa, isso é comum pra mim, às vezes sinto-me mais a vontade)

Segue texto pra compreensão e reflexão!

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

 Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Pronto, por hoje basta! O texto falar por si!




quarta-feira, 10 de março de 2010

À Noite Sonhei Contigo

Ainda relacionado ao post anterior, gostaria de compartilhar a canção que me motivou a escrever sobre o sonho. 


 ♪ ♪  Que lindo que é sonhar

E não te custa nada 
Sonhar e nada mais 
De olhos bem abertos 
Que lindo que é sonhar
E não te custa nada mais que tempo ♪ ♪ 


Paula Toller


quinta-feira, 4 de março de 2010

Bom mesmo é sonhar!

           Acordar de madrugada todos os dias é um ato rotineiro para a maioria dos trabalhadores assalariados e/ou estudantes desse país. Todos os dias às quatro, cinco ou seis horas, várias pessoas despertam obrigatoriamente. Difícil é conseguir adaptação à essa rotina, porém, essa não é a parte mais complexa do dia.
Ruim mesmo é encarar o transporte público em tempos de caos: uma verdadeira confusão, tanto dentro, quanto fora do ônibus. É um empurra-empurra, oscilações constantes de temperatura e aquele balanço tradicional, capaz de impedir uma simples soneca ou até mesmo uma tentativa de leitura, isto é, se você tiver a sorte de entrar, já que a lotação está cada vez maior.
Portanto, mentalize que você conseguirá pelo menos subir o primeiro degrau da porta da frente, essa já será uma vitória, nem que você fique pendurado entre a porta e o motor do ônibus. Se não conseguir, mentalize mais forte e aguarde o próximo ônibus, que sabe nesse você tenha mais sorte e consiga até mesmo sentar. Parece piada, mas esses são fatos vivenciados e comprovados pela ciência da vida.
Todo ser humano que se prese após um longo e cansativo dia de plena atividade necessita de um repouso, o chamado sono. Para abrilhantar ainda mais esse momento, bom mesmo é quando vem um sonho. Alterar o imaginário e mesmo algo mágico, você se perde e parece esquecer o mundo real. Mas, deixemos esse jogo de palavras bonitas, que são cabíveis à literatura, de lado e vamos aos acontecimentos, digo, ao sonho, que é o que, de fato, nos interessa.
Depois de tanta complicação, tanto esforço, eis que chega o momento de maior prazer do dia, o prazer de finalmente poder se desconectar da rotina e sonhar. O sonho é profundo e gratificante, pois nos permite viajar nos nossos pensamentos mais secretos, nos permite vivenciar fantasias da infância e da adolescência. Parece que nos conectamos a um outro mundo, um mundo onde todos os desejos são permitidos, em que não há regras, nem restrições, não existem esses desconfortos do dia-a-dia e como nada é perfeito: o despertador toca novamente (naquele momento do ápice do sonho, o momento mais aguardado) e você tem que finalmente retornar ao seu mundo cheio de imperfeições. É por isso que repito: bom mesmo é sonhar.
(Fiz essa crônica em uma disciplina da Universidade, achei engraçada e resolvi divulgar aqui no Blog)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

S-U-P-E-R-F-I-C-I-A-L-I-D-A-D-E

Olá queridos leitores,

Ano Novo chegando e de repente bateu uma inspiração em escrever, o diferencial desse post é que pela primeira vez vou falar de algo que não gosto: superficialidade.
Todo mundo sabe que sou assumidamente admiradora das coisas simples da vida e a superficialidade vai contra esse princício.
O que ocorre é que fico realmente preocupada com as relações pessoais, já que ao invés de se preocupar em criar laços mais fortes de amizade, de amor, de caridade, as pessoas estão cada vez mais dedicadas a impressionar aos outros.
Deixou-se de viver, de buscar coisas que dão prazer de verdade, para se entregar à superficialidade e a futilidade da vida moderna.
Quer um exemplo simples?
Quantas pessoas viajam e simplesmente não aproveitam aquele momento para ficar tirando várias fotos, pra quê? Para chegar em casa, postar todas no orkut (ou em outras redes) e mostrar pra todo mundo o que conquistaram. Ou então vão a uma festa e mal chegam em casa e estão lá novamente postando fotos para exibirem-se aos outros.
Pode parecer, mas não estou querendo dizer que sou contra fotografia, pelo contrário, acho que o poder de recordação da fotografia é importantíssimo, mas daí servir como status diante dos outros é uma futilidade absurda!
Esse espírito de renovação que o Ano Novo proporciona deveria contagiar a todos, buscando tornarem-se pessoas melhores... Sei que o papo é clichê pra caramba, mas a vida é muito curta pra gente desperdiçá-la com coisa inúteis e pequenas...
Já percebeu quanta magia há na simples observação das pessoas? Eu me encanto profundamente!

Evoluir sempre...

Há tantas coisas ao nosso redor, que muitas vezes passam desapercebidas, em meio a essa superficialidade. Quero poder olhar as pessoas de perto, vendo quão grande são, enquanto pessoas e não pelo seu contra-cheque ou por suas roupas... Caraca... nós somos muito mais que essas futilidades!

Façamos o bem, sempre!

Antes que finalizar, uma musiquinha que fala de esperança, já que nada está perdido...


Feliz Ano Novo... Que sejamos melhores no ano que se inicia...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bem vindos ao Teatro Mágico!

Olá queridos leitores!!

Continuando falando de música, gostaria de apresentar, aos que não conhecem, O Teatro Mágico, banda, trupe, poetas, sonhadores, enfim verdadeiros apreciadores das coisas simples e belas que nos permitem ver a vida de forma mais intensa e sensível!
Eles fazem não só música, mas um verdadeiro espetáculo no palco.
Misturando instrumentos clássicos, com circo, poesia, eles nos trasmitem uma sensação inefável, só quem já passou pela experiência sabe como é! Algumas canções são verdadeiros cordéis!!
Todos os seres do planeta (sem exageros, nem puxação de saco) deveriam conhecer essa galera. Permita-se você também!

Então, apresento-lhes uma canção belíssima, que inspira os nossos sonhos: Sonho de uma flauta.

Está preparado para uma viagem sem precedentes? Então prossiga, aperte os cintos e seja bem vindo ao Teatro Mágico:

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vivenciando e compondo antíteses

Sou admiradora assumida da criatividade, especialmente quando estamos falando do âmbito musical. Como não se fascinar? Impossível!
O compositor me parece um ser escolhido no universo por Deus, afinal muitas vezes, através das composições ele consegue exprimir exatamente o que sentimos, mas obviamente de uma forma completamente poética.
Quem nunca passou por momentos de se trancar no quarto e aumentar o volume do som, cantar e chorar? Comigo já aconteceu de encontrar na música respostas, que nem mesmo os amigos mais próximos souberam dar.
É, dá pra sentir a complexidade e a responsabilidade que é ser compositor, pois é lidar com emoções, sentimentos, tudo isso misturado com a razão. Aliás, alguém sabe de algum animal tão instável e vulnerável como o ser humano?
Como desde o início do blog exprimi minha paixão pela música, não poderia deixar e abrir um post sobre isso!! E para começar, uma canção (que por sinal é minha preferida!) do segundo disco da Legião Urbana, quem anda não conhece, vale à pena conhecer:

Andrea Doria
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá

Às vezes parecia que de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto e diamantes de pedaços de vidro

Mas percebo agora que o teu sorriso vem diferente
Quase parecendo te ferir
Não queria te ver assim
Quero a tua força como era antes
O que tens é só teu e de nada vale fugir
E não sentir mais nada

Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto
Até chegar o dia em que tentamos ter demais
Vendendo fácil o que não tinha preço

Eu sei é tudo sem sentido:
Quero ter alguém com quem conversar
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim

Nada mais vai me ferir é que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei
Tenho o que ficou e tenho sorte até demais
Como sei que tens também


quarta-feira, 1 de julho de 2009

F-é-r-i-a-s: Tempo de auto-conhecimento!

Algo diferente no ar...
O céu mais azul, o sol mais radiante, as noites mais noites.
Eu poderia dizer que tudo isso é fruto do inverno que chegou (quase imperceptível, em Brasília, por sinal)! Disse poderia, né? Porque sei que na verdade é apenas o mês de julho que chegou.
Essas férias de inverno são mesmo incríveis!!
Nada de calor exacerbado, e tudo de preguiça para fazer nada!!

Julho = Férias no meio ano.
Quem inventou isso?
Sinceramente não sei, só sei que é um período bom para dar uma boa organizada na vida.
Acho que vou começar pelo meu quarto (risos).

Quer saber? É bom dá uma relaxada. É bom ter tempo pra si mesmo. Acho que tudo que precisamos é de abstrair.
As vezes o correr da vida embaralha tudo, nada parece fazer sentido, porque as coisas só dão certo quando organizamos dentro de nós mesmos.
O auto-conhecimento é o primeiro passo para que possamos conhecer as outras pessoas, pois somente sabendo quem eu sou e o que quero, posso julgar quem e o quê é importante para mim.
É bom ser quem eu sou e o mais importante: ter o conhecimento disso.
Eu sou assim: meio instável, espontanea demais, verdadeira, isso dá um trabalho! Autenticidade incomoda (aos outros, principalmente), isso é fato (e assunto para outro post)!
Mas vamos parar de falar de mim, pois pode soar como algum tipo de pretenção.

A questão-chave é: Se conhecer para então, conhecer outro, isso em qualquer espécie de relacionameto.
Bem, é melhor parar por aqui, tô me sentindo meio psicóloga hoje!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A palavra é PRIORIDADE

É curioso como a prioridade move nossas vidas, através dela fazemos ou deixamos de fazer várias coisas. Tudo na vida depende de se colocar prioridades, postar no blog pode ou não ser uma delas. Depois de quase um ano sem postar, estou aqui de volta, com o mesmo propósito inicial: o de tentar compreender pelo menos um pouco dessa magia (esquisita, eu diria) que é ser humano.
A pergunta é: O que é prioridade hoje pra você?
Estudar bastante? Concluir a faculdade, fazer uma pós, depois uma especialização. Se tornar um expert em sua área.
Passar em um concurso público?
Ter um ótimo emprego?
Sim, ótimo pra você! Criar expectativas é importante para a vida, mas até que ponto isso tem movido a sua?
Engraçado eu escrevendo sobre isso, pois um dos motivos desse meu afastamento foi exatamente esse: a exacerbada ilusão quanto ao futuro, por meio da faculdade e do trabalho. Foi aí que de repente me vi em um paradoxo: pra quê tudo isso, se não consigo nem ao menos escrever, que é uma das coisas que mais gosto de fazer?
Entao após um ano de experiência posso dizer: entregue-se a suas prioridades desde que isso não interfira na sua FELICIDADE.
De que vale um sucesso profissional se ele não vem acompanhado de uma satisfação pessoal? De que adianta você fazer várias horas extras, ganhar bastante dinheiro,se você não tem tempo de gastar com o que gosta?
Felizmente, sempre há tempo para ser feliz, basta querer!
Não deixe que as prioridades sufoquem sua vida! Sorria, chore, brinque, pule, corra, gaste, ame, faça amigos, conheça lugares novos, valorize sua família, acredite em Deus! Afinal, esse é o combustível da vida, é essa energia que nos mantêm dispostos a enfrentar qualquer probleminha que possa aparecer!

Estou feliz em voltar...

Welcome (novamente)!!

sábado, 17 de maio de 2008

Vamos assistir ao pôr-do-sol?



Antoine de Saint-Exúpery em seu livro “O Pequeno Príncipe” expõe uma frase de altíssimo teor reflexivo :“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”, tendo em vista que percebe-se nitidamente o crescimento exacerbado do valor material no decorrer da história da humanidade. Vivemos em um mundo em que o Capitalismo administra e domina todos os acontecimentos, aumentando cada vez mais a desigualdade e destruindo com veemência todos os valores morais.


Ao serem questionadas sobre o que lhes falta para alcançarem de fato a felicidade, certamente a maioria das pessoas responderia que lhes falta dinheiro, pois vêem nele a base para sua felicidade. Notamos uma inversão de valores, pois medimos felicidade conforme o poder aquisitivo parece que o que os olhos vêem o coração sempre sente e admira.

Atualmente nossa sociedade é marcada por doenças até então desconhecidas como depressão e stress. As pessoas se isolam em seus escritórios em frente aos seus notebooks idealizando uma vida perfeita, com isso acabam frustrando-se, pois acreditam que farão suas famílias felizes de acordo com a quantidade de coisas supérfluas que possuírem e acabam trabalhando durante mais de 12 horas diárias, na busca incansável pela felicidade.
No entanto, esquecem de cultivar sentimentos nobres em suas residências como o amor, o carinho, o respeito, a compreensão, enfim estão extinguindo os hábitos tradicionais familiares. Atualmente é raro observar famílias almoçando junto à mesa. Mas por que isso ocorre?

Devido ao inexorável egoísmo humano, que além de por fim aos valores familiares, normalmente transmitidos de geração em geração, não se importa com os problemas sociais existentes, acreditando ser obrigação exclusiva das autoridades, com isso acaba contribuindo para uma desgraça ainda maior, criando um abismo gritante entre o homem e o próprio homem.

Os seres humanos estão colocando em xeque ações essenciais da vida, tratando-as como coisas banais, como assistir ao nascer e ao pôr-do-sol, admirar as estrelas e belas paisagens e, no entanto, se entregam à futilidade de um dia de compras em um shopping.

Se faz imediata uma solução para essa desagradável situação, pois o homem precisa reconhecer e relembrar o valor sentimental das coisas, pois o materialismo pode até trazer uma breve felicidade, mas ela não é concreta. Deve-se cultivar a bondade entre as pessoas, pois não devemos prosseguir com a veracidade que o filósofo Hobbes pregava no século XVI de que “O homem é o lobo do homem”.

Não devemos buscar somente a evolução econômica, mas principalmente a evolução social e devemos também valorizar mais as pessoas e seus sentimentos, dessa forma, quem sabe um dia poderemos tornar o mundo um local mais agradável para se viver?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Por que a gente é assim?

Olá...
Para que iniciemos, um texto que demonstra como somos essencialmente ambíguos, nunca sabemos se nos deixamos levar pelos nossos pensamentos e sentimentos ou pela razão:
Preto e branco
Luís Fernando Veríssimo
Um palco vazio. Entram dois homens, um vestido de preto e o outro vestido de branco. Eles representam os dois lados do autor.
Isso a platéia já sabe porque está escrito no programa. Pelo autor. Ou por um dos lados do autor. Já que o outro era contra.
O outro lado do autor queria que o espectador deduzisse no decorrer do diálogo que os dois atores representam a mesma pessoa, porque, na sua opinião, dar muitas explicações para a platéia subverte a relação de cumplicidade misturada com hostilidade que deve existir entre palco e público, e nada destrói este clima mais depressa que o público descobrir que está entendendo tudo.
Os dois lados do autor discutiram muito sobre isto e prevaleceu o lado que queria ser perfeitamente claro,
mesmo com o perigo de frustrar o público.
Palco vazio. Dois homens, representando os dois lados do autor. Um todo de preto, o outro todo de branco.
Homem de branco - Preto.
Homem de preto - Branco.
Branco - Por que não cinza?
Preto - Vem você com essa sua absurda mania de conciliação. Essa volúpia pelo entendimento. Essa tara pelo meio termo!
Branco - Se não fosse isso, nós não estaríamos aqui. Foi minha moderação que nos manteve longe de brigas. Foi minha ponderação que nos preservou. Se eu tivesse ido atrás de você...
Preto - Nós teríamos vivido! Pouco, mas com um brilho intenso. Teríamos dito tudo que nos viesse à cabeça. Distinguido o pão do queijo com audácia. Posto pingos destemidos em todos os "is". Dado nome completo a todos os bois!
Branco - Em vez disso, nós fomos civilizados. Isto é, contidos e cordatos.
Preto - E temos os tiques nervosos para provar.
Branco - Você preferiria ter dito a piada que machucaria o amigo? A verdade que destruiria o amor? O insulto que nos levaria ao pronto-socorro, setor de traumatismo?
Preto - Preferiria. Para poder dizer que eu não me calei. Para poder dizer "Eu disse!”.
Branco - Ainda bem que não é você que manda em nós.
Preto - Não, é você. Sempre fazemos o que você determina. Ou não fazemos. Não dizemos. Não vivemos! Estou dentro de você, fazendo, dizendo e vivendo só em pensamento. Se ao menos eu pudesse sair aos sábados...
Branco - Pra que? Para nos matar? Pior, nos envergonhar?
Preto - Melhor se envergonhar pelo dito e o feito do que pelo não dito e o adiado. Você sabe que cada soco que um homem deixa de dar encurta sua vida em 17 dias? E cada vez que um homem pensa em sair dançando um bolero e se controla, seu fígado aumenta? E cada...
Branco - Bobagem. Ainda bem que eu sou o verdadeiro nós.
Preto - Não, eu sou o verdadeiro você.
Branco - Você só é nós em pensamento. Você é uma abstração.
Preto - Sou tudo aquilo em que nós é autêntico e não reprimido. Ou seja: você é a minha falsificação.
Branco - Você não é uma pessoa, Você é uma impulsão.
Preto - Você não é uma pessoa, é uma interrupção.
Branco - Mas quem aparece sou eu.
Preto - Então, o que estou fazendo neste palco, e ainda por cima de malha justa?
Branco - Você só está aqui como uma velha tradição teatral, o interlocutor. Um artifício cênico pro autor não falar sozinho. "Escrever diálogos é a única maneira respeitável de você se contradizer." Tom Stoppard.
Preto - Quer dizer que eu só entrei neste palco para dizer...
Branco - Branco. E eu...
Preto - Preto. Por quê?
Branco - Para mostrar à platéia que todo homem é a soma, ou a mescla, das suas contradições. Que no fim o destino comum de todos, cremados ou não cremados, não é ser branco ou preto, é ser cinza.
Preto - Mostrar a quem?
Branco - À pla... Onde está a platéia?
Preto - Foram todos embora.
Branco - Será porque não entenderam o diálogo?
Preto - Acho que foi porque entenderam.